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Argentina quer exportar mais para a Bahia
Publicada em: 28 de fevere de de 2
Argentina quer exportar mais para a Bahia

No período 2013-2017, as exportações de produtos baianos para a Argentina totalizaram US$ 4,711 bilhões. No mesmo período, as importações de produtos argentinos feitas pelo estado somaram US$ 5,085 bilhões, originando um déficit comercial acumulado para a Bahia de US$ 374 milhões.

Mas, se no plano estadual o resultado é amplamente favorável ao país vizinho, no plano nacional a situação se inverte. O saldo comercial bilateral pende para o Brasil, que acumulou um superávit no período 2013-2017 de quase US$ 8,2 bilhões. Para tentar igualar a situação, a diplomacia argentina vem realizando em todo o Brasil encontros com empresários para avaliar novas oportunidades de negócio. 

Foi o que aconteceu na segunda-feira, 26.02, no encontro Projeções e Oportunidades de Negócios: Brasil/Bahia – Argentina, na sede da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), promovido pelo Consulado da Argentina na Bahia, Câmara Empresarial de Comércio Argentina-Bahia (Cecab) e o Centro Internacional de Negócios da FIEB.

EQUILÍBRIO DIFÍCIL

Um dos convidados do encontro, Gustavo Segre, diretor institucional da empresa Moinho Cañuelas Brasil, não considera o equilíbrio comercial entre os dois países uma tarefa fácil. Para ele, falta à Argentina eliminar entraves poderosos à sua competitividade. Um deles, o imposto de exportação, da ordem de 20%, que penaliza os produtos de seu país.

Além disso, é preciso reduzir os preços dos insumos; baratear o custo da mão de obra (43% mais elevado que a média do Brasil); diminuir os custos com logística, especialmente na área portuária; e baratear sua energia, bem mais cara que a brasileira. Mas o principal freio ao crescimento da economia argentina está na sua dolarização. Hoje, um dólar equivale a 20 pesos. É mais seguro especular que investir produtivamente.

Na avaliação de Gustavo Segre, embora o governo de Maurício Macri aposte que a retomada do crescimento no Brasil (em 2018, o Banco Central brasileiro prevê elevação de 2,5% do PIB) seja capaz de puxar para cima a economia argentina, isso dificilmente ocorrerá, uma vez que falta competitividade ao produto argentino. Além disso, enquanto o Brasil promoveu a reforma trabalhista, a Argentina não conseguiu iniciar suas reformas.

O que se vê, diz Segre, é que enquanto 93% das exportações do Brasil para a Argentina são de produtos manufaturados, no sentido inverso estes representam apenas 70%. Apesar de todos os entraves, o empresário argentino mantém o otimismo. Para ele, o comércio bilateral pode vir a se equilibrar no médio prazo com um trabalho focado, com as Câmaras de Comércio Brasil-Argentina levando as demandas brasileiras ao empresário argentino. Este, por sua vez, deve trabalhar em estreita colaboração com suas representações diplomáticas.

ZONA LIVRE

Para o presidente da Câmara Empresarial Argentina-Bahia, Paulo Cintra, a criação de uma Zona Livre, que permita a compra direta dos produtos argentinos, sem que esses tivessem que entrar no Brasil via Sul-Sudeste, poderia tornar mais atrativos as compras ao país vizinho. Para ele, uma boa relação econômica bilateral só acontece quando ambas as partes ganham.

Cintra observou que a balança comercial Bahia-Argentina pendeu para o país vizinho no período 2014-2017, exceto no ano de 2015. Entretanto, acredita que ainda há espaço para oportunidades argentinas, a exemplo de azeite extra virgem, vinhos, frutas como maçã e pera, leite e pescado.

O encontro Projeções e Oportunidades de Negócios: Brasil/Bahia – Argentina foi aberto pelo vice-presidente e coordenador do Conselho de Comércio Exterior da FIEB, Ângelo Calmon de Sá, e teve a presença também do cônsul geral da Argentina, Pablo Virasoro.


Fonte: FIEB


Escrita por: AINVIC - Associação das Indústrias de Vitória da Conquista
Notícia da Categoria: INDúSTRIA





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